POR QUE FILME?

 

Minha primeira máquina fotográfica foi uma Zenit-122 - querida, mas pouco confiável. Com ela meus pai fizeram todas as fotografias da minha infância e, ainda miúda, era meu sonho poder um dia sair com ela a fazer fotos. Na adolescência ela passou a ser minha, finalmente, mas a fotografia digital logo chegou, com todo o seu encanto, e a Zenit foi esquecida. 

Foram anos e anos depois, quando já trabalhava profissionalmente com fotografia, que passei a sentir falta de algo mais "orgânico" na relação que tinha com a fotografia. Experimentei novamente a Zenit e daí em diante a paixão só cresceu. Passei a trabalhar com várias câmeras, estudei o efeito de diferentes tipos de filme, fiz imensas fotos que continuam ser as minhas preferidas. A disputa Filme versus Digital continua a disparar faíscas entre os fotógrafos e não é minha intenção acrescentar argumentos à briga. Para mim, basta que os resultados sejam exatamente como os quero, basta que o filme tenha estreitado em todos os sentidos a minha relação com a fotografia e vindo reacender uma paixão que ameaçava esfriar. 

As imagens que faço com métodos analógicos - seja de casamentos, sessões ou da minha própria vida continuam a ser as minhas preferidas, não só por questões afetivas (se bem que estas estejam também presentes), mas também por razões visuais que podem ser comprovadas (ou não) aqui.